terça-feira, 16 de junho de 2015

Missão



A missão da Igreja de Cristo não é transformar o mundo, a MISSÃO DA IGREJA DE CRISTO É, PELA PREGAÇÃO DO EVANGELHO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, PREPARAR O MUNDO PARA O JUÍZO FINAL!

Nesse propósito a Igreja anuncia o Cristo como Senhor, deixando absolutamente claro que só quem se submeter ao seu senhorio será salvo, isto é, declarado justificado no juízo que virá sobre vivos e mortos, pessoas e nações.

No que tange as pessoas, isso exige arrependimento quanto à vida em estado de pecado, e reconhecimento da necessidade de nascer de novo, que acontecem como fruto de ação do Espírito Santo, por meio da Palavra do Cristo, aos que têm ouvidos para ouvir. No que tange as nações, isso significa, por meio do Espírito Santo, reconhecimento do pecado estrutural e busca por justiça nos padrões de Mt 25.31-46.

A Igreja, composta por aqueles que voltaram do estado de rebelião para o estado de obediência, com o único objetivo de fazer a vontade do Pai Nosso que está nos ceús, vive, portanto, diariamente, sob o governo do Senhor.

Viver sob o governo do Senhor, sob o reinado de Deus, buscando-o em primeiro lugar, é viver, aqui, para cumprir a vontade do Pai Nosso, e buscar, na história, a Justiça promulgada pelo Reino do Ceús, que determina que todos desfrutem igualmente de tudo o que Deus, a Trindade, é e de tudo o que Deus doa, o que se cumprirá, plenamente, no Novo Céu e Nova Terra onde habita a justiça.

Por viver, na história, sob o governo de Deus, a Igreja sinaliza, em todos os seus movimentos, o que é e como se pratica a justiça do Reino, e, dessa forma, aprimora a sociedade, tornando-a mais equânime, pela busca da equidade em todos os relacionamentos humanos, o que mitiga o estado de sofrimento e promove a emancipação do ser humano pelo protagonismo social.

A Igreja cumpre a sua missão pelo Exemplo, que testifica sua submissão ao Pai Nosso, pela Proclamação, que anuncia Jesus de Nazaré como Ungido da Trindade, único nome, pelo qual, importa que sejamos salvos, e pelas Boas Obras, por meio do que manifesta e ministra a Justiça do Reino dos Céus.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A Fé Evangélica ou a Religião Evangélica?

Ariovaldo Ramos

A fé evangélica é revolucionária, pois, quando retomada, significou a libertação da pregação da mensagem da Cruz e da Ressurreição. A fé evangélica foi retomada pela reforma, dita, protestante, um movimento de mais de século, que culminou com a afixação, por Lutero, das 95 teses, na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, em outubro de 1517.

A retomada da fé evangélica, a fé ensinada pelos país da Igreja, levou o fiel de volta ao Santo dos Santos, isto é, o fiel voltou a compreender que só há um mediador entre Deus e os homens, Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus, que com o seu sangue fez o novo e vivo caminho, pelo qual entramos na Presença do Eterno, pessoalmente, sem nenhuma outra mediação. 

A fé evangélica fez voltar a valer o ato de rasgar o véu do Templo, levado a efeito pelo Eterno, por ocasião da morte de Jesus de Nazaré, o Ungido, consumando o sacrifício conhecido e efetivo desde antes da fundação do mundo. Ato, este, que liberou o Santo dos Santos para todos aqueles que, por crerem no Ungido, foram feitos filhos de Deus. De modo que a denominada intercessão pelos santos de devoção particular perdeu todo o sentido.

 A fé evangélica é libertária, uma vez que, em seu primeiro movimento de retomada, na história, ao abolir, pela recuperação do ensino da expiação pelo Ungido, toda a mediação humana entre o Eterno e o ser humano, desconstruiu toda a hierarquia religiosa. A fé evangélica pôs fim à religião organizada como representante da Igreja, tornando a ver a Igreja como o ajuntamento dos crentes no Ungido, que se manifesta por meio de reuniões locais, cuja relação entre si é fraterna, uma vez que a Igreja deixa de ter um chefe terreno, para depender, exclusivamente, da iluminação pelo Espírito Santo. 

A fé evangélica devolveu à Bíblia o papel de Revelação Escrita sob inspiração do Espírito Santo, portanto, um livro recebido por fé, e, como tal, infalível e inerrante, única regra de fé e de prática para a vida da Igreja. Assim como aboliu a figura do intérprete oficial, devolvendo ao fiel a possibilidade de examinar livremente as Escrituras, a partir da decisão dos quatros concílios fundantes: Nicéa e Constantinopla no sec IV, Éfeso e Calcedônia no sec V, e dos chamados "solas" da reforma: sola Gratia, sola Fide, solo Cristos, sola Escriptura, soli Deo Glória!

A fé evangélica pôs fim à noção de clero, que propõe a existência de pessoas especiais, com exclusivo ou maior acesso à Deus, retomando o sacerdócio universal dos crentes, proclamando que todos são iguais perante de Deus, e que a Igreja é Reino de sacerdotes. A fé evangélica retomou a lógica apostólica de reconhecimento dos presbíteros, leigos, como todos os demais, porém, reconhecidos, por sua maturidade espiritual, como aptos para supervisionar a igreja local, de modo a impedir qualquer desvio que transforme a fé evangélica em mera religião.

A fé evangélica aboliu a noção de Templo, fazendo jus ao ensino neo-testamentário, de que o contingente dos crentes constitui o que Jesus de Nazaré, o Ungido, chamou de Sua Igreja, e que este grupo de pessoas é, portanto, o Templo, a Casa do Deus Vivo, anulando a possibilidade de qualquer prédio ser chamado de Igreja ou Casa de Deus. O Deus Vivo só pode habitar numa Casa Viva, nunca em prédio construído por mãos humanas. 

A fé evangélica, quando não fomentou, contribuiu para que mudanças estruturais ocorressem na história humana, principalmente, no Ocidente; tais como: a noção de igualdade entre os seres humanos; a rede de proteção às crianças; a honra e o cuidado aos idosos; a igualdade de gênero; o surgimento do Estado Moderno; a preponderância da Democracia; a luta pela liberdade, pelo fim de todo o tipo de colonização e de escravidão;  a laicização do Estado, na luta por liberdade de credo e de expressão.

O maior adversário, entretanto, que a fé evangélica enfrentou e enfrenta é a religião evangélica.

O surgimento da religião evangélica aconteceu mais rápido do que se poderia prever, e se caracterizou pelo retorno da noção de Clero; por voltar a titular prédios de templo ou de casa de Deus, descaracterizando a Casa Viva do Deus Vivo; pelo retorno da hierarquização; pelo volta da estatização da fé; pela busca por chefes terrenos para a Igreja; caracterizado pelo denominacionalismo e pelo "ministerialismo", onde as organizações, que reúnem as reuniões locais, e os ministros deixam de ser servos para serem senhores da Igreja.

A religião evangélica é adversária, porque onde a fé evangélica ilumina, a religião evangélica produz trevas, porque luta por hegemonia, inclusive em relação ao Estado, de modo que, enquanto a fé evangélica procura chamar todos os homens à noção de igualdade, por obra do amor abrangente de Deus, a religião evangélica os classifica entre fiéis e infiéis, se vendo no direito de punir os infiéis, postura semelhante à que, no passado, por meio da religião romana, gerou o que ficou conhecido como a "era das trevas", e está voltando a gerar.

A religião evangélica é adversária, porque enquanto a fé evangélica procura apresentar ao ser humano a pessoa do Ungido, que por seu Espírito transforma o ser humano, a religião evangélica oferece um conjunto de crenças e costumes que aprisionam ao invés de emancipar e que, ao invés de salientar a ação salvífica da Trindade, por sua Graça, por meio do sacrifício expiador do Filho,  reintroduz a meritocracia, impondo tarefas aos infiéis, sob o pretexto de levá-los a conquistar as benesses que já lhes foram outorgadas por meio da Cruz e da Ressurreição do Ungido. 

A fé evangélica apela para a fraternidade que gera unidade e promove a cooperação, a partir dos dons e talentos distribuídos pelo Santo Espírito; a religião evangélica, por sua vez, impõe a hierarquização, que se impõe como única forma do agir divino, uma vez que, nessa imposição, há quem alegue que o Espírito Santo não mais galardoa com dons os fiéis, reduzindo toda a iluminação que Jesus, o Ungido, disse que Consolador traria, à interpretação autorizada dos líderes eclesiásticos, que a rigor, não explicam como podem interpretar acertadamente a Espada do Espírito, uma vez que este não distribui mais os dons, pela inauguração do tempo do cessacionismo. A hierarquização institui, também, a luta pelo poder, com a agravante de que o poder, se não contido, acaba por promover a escravização do ser humano.

A fé evangélica propõe o serviço como fonte de autoridade; a religião evangélica promove a subserviência ao líder, que deve ser servido por sua condição de ser especial. Aliás, a religião evangélica gera elites, enquanto a fé evangélica gera prestadores de serviço. 

A religião evangélica subverte os mais ricos ensinos da fé evangélica, como a verdade de que a Trindade elege seres humanos para serem santos, que se doarão para produzir o bem para a humanidade, para transformar o ensino em motivo para a soberba, e para a exigência de privilégios.    

A fé evangélica ensina que o texto sagrado é do Espírito Santo, e, portanto, deve ser examinado para produzir um discurso pastoral para a vida da comunidade, como serva de Deus, para o bem da humanidade. A religião evangélica, por meio de seus teólogos, passou a questionar o texto, tornando-o, de novo, propriedade de uma elite que decide o que é e o que não é divino no texto, transformando-o num arremedo de oráculo, onde o fiel não sabe mais no que crê e no quanto deve crer, se é que deve crer.

A fé evangélica procura pelos pobres, para abençoá-los e emancipá-los pela busca da justiça, que é entendida como a construção de realidade onde todo ser humano, em igualdade, desfrutará de tudo o que Deus é e de tudo o que Deus doa. A religião evangélica, por sua vez, procura os ricos, ratificando o pretenso direito destes a promover a desigualdade, sustentando como divina a ideologia que reconhece no acúmulo, no abuso na obtenção de propriedade e na competição sinal de progresso humano, ainda que às custas da miséria e da exclusão da maioria.  

A fé evangélica se pauta pelo amor, que é a busca pela unidade entre os seres humanos, enquanto a religião evangélica se pauta pela disputa, que é uma manifestação da disposição  contrária ao amor. Assim, a fé evangélica busca a misericórdia e a prática do espírito da lei, enquanto a religião evangélica privilegia a punição, inclusive, confundindo, ingênua ou malignamente a lei com a justiça e o direito.  A fé evangélica quer ser a consciência do Estado, a religião evangélica que tomar o Estado.

A fé evangélica sabe que ao andar na história, a partir de Deus, tem de saber discernir entre manutenção e anuência, pois, embora Deus sustente a tudo e a todos, ele não concorda, necessariamente, com tudo o que acontece com e a partir de tudo e todos os que sustenta. Por isso, a oração da fé evangélica é: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino e seja feita a vossa vontade tanto na terra como no ceu". Assim, embora o Pai faça determinações e intervenções, não é determinista, Ele não tenta e nem é tentado. Ele administra a história da salvação, e aqui a determinação aparece, mas, intervém na história circunstante, de modo que esta não venha a ameaçar com solução de continuidade a história da salvação; Deus não gerou o pecado, e nem a história é mera pantomima.


A religião evangélica, por meio de verve pseudo intelectual, pode vir a ser determinista, tornando a história um palco de horror, por algum enigma indecifrável  e incontornável por Deus, que tem, assim, a sua onipotência questionada, pois, uma vez que, sendo o único protagonista do Universo, não consegue fazer algo diferente do horror; ele, ou não pode tudo ou não é bom, concordando, dessa forma, com a proposição de Epicuro. A religião evangélica, ao tender para o determinismo: "tudo  (o que inclui o mal) é de acordo com a vontade de Deus" busca fechar um sistema de pensamento, pois, tem de explicar porque alia-se aos poderosos e mantém a injustiça. Não poucas vezes, no transcurso da história, agentes da fé evangélica tiveram de enfrentar agentes da religião evangélica, na luta pela emancipação do ser humano.  Assim, a religião evangélica confunde o Deus da revelação com potestades malignas que mantêm o ser humano sob opressão, assim como levam o ser humano à prática da opressão, julgando, este, estar sendo conduzido pelo implacável deus da punição pela punição.

A fé evangélica propõe, como estilo de vida, o louvor e a adoração ao Pai Nosso, por meio das ações de graças, que ratifica a fé na fidelidade do Deus à sua Palavra, que anuncia que, tal como cuida do pássaro e dos lírios, cuidará de seus santos, de maneira que estes só têm o que agradecer, passando a usar, portanto, a oração como ferramenta de missao, por meio da intercessão. A fé evangélica luta pela vida e acredita em milagres, mas, não os impõem à Trindade. A religião evangélica, por sua vez, pode, também, ser histriônica, ou oca por completo, e buscar fomentar a meritoriedade, e o anseio por bênçãos pessoais, que podem ser adquiridas por meio de barganhas com o Eterno, sob direção do clérigo em exercício da liderança, como modo de obter de Deus, desejos pessoais, claro que tudo tem um preço, que deve abençoar o ser humano especial que conduz o fiel a tal experiência com o divino,

Os agentes da fé evangélica e os agentes da religião evangélica, se encontram na localidade, porém, a distinção entre eles só é absolutamente clara para o Pai Eterno, pois, pode acontecer de um agente da fé evangélica ser co-optado pelo movimento da religião evangélica, por estar distraído quanto à sua real natureza. 

O fato de uma reunião local, aparentemente, em nome do Ungido estruturar-se de modo institucional ou unir-se em associação com outras reuniões locais, de modo a formar uma agremiação que otimize a consecução de objetivos comuns, não faz, necessariamente, com que essa ou essas reuniões locais sejam agências da religião evangélica, mas, só a compreensão profunda de que a reunião dos crentes é sempre local, e que é à reunião local que 'Aquele que anda entre os Candeeiros' se dirige em suas falas, e que as reuniões locais é que são as responsáveis por responder-lhe, dificultará o perigo de que tais localidades caiam da fé evangélica para a religião evangélica.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Escândalo de uma Civilização

Amós 9:7
Não sois vós para mim, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes?- diz o SENHOR. Não fiz eu subir a Israel da terra do Egito, e de Caftor, os filisteus, e de Quir, os siros?

Eduardo Galeano, em protesto contra o genocídio que Israel está levando a cabo na faixa de Gaza, escreveu que "o apetite  devorador de  Israel se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita."

Mas, aí é que está, a Bíblia não outorgou aos judeus o espaço que eles reivindicam em relação à palestina. O povo que voltou para a moderna Israel é o povo originário das tribos de Judá e de Benjamin, que ocupavam um espaço entre a terra dos palestinos, (que incluía Gaza, Asdode, Gerar e Gate), e o mar morto; de oeste para leste.

Vejamos o texto:

O profeta é Amós, a época era entre 760 e 755 AC.  O local era Israel, a nação do norte, ocupada pelas 10 tribos, e governada por Jeroboão II.

Amós estava profetizando o exílio e a destruição para Israel como castigo por sua injustiça e desobediência às leis de Deus. O profeta insistia que Deus iria punir Israel, e que esta nação, composta pelas 10 tribos, deixaria de existir para sempre,  o que aconteceu  por volta do ano 722 AC.

Argumentava o profeta, explicando a Israel, que, embora tivesse sido escolhida por Deus, não era diferente de outras nações, pois Deus lhe havia dito que, a exemplo do que fizera com Israel, fazendo-a subir da terra do Egito, também fizera com o arameus (siros), que ocuparam a região da Síria e com a Filistia. Que aos siros ele havia feito subir de Quir (provavelmente perto da margem norte do golfo pérsico), e aos filisteus havia feito subir desde Caftor (provavelmente a ilha de Creta).  Ademais, Deus, segundo o profeta, amava aos israelitas da mesma forma que amava aos etíopes, deixando claro que Deus não fazia acepção de povos e de nações.

Filistia é a palavra bíblica que designa a nação da Palestina. Filisteu, na Bíblia, é sinônimo para palestino. Portanto, biblicamente, o povo palestino está naquela terra por desígnio do mesmo Deus de quem o povo judeu se entende escolhido.

Dessa forma, a base bíblica, evocada por Israel, para possuir a terra, de fato, em relação ao povo palestino, não existe.

O que sobra? Geopolítica. Mais uma vez se manifesta a hegemonia de uma geopolitica gestada pelo capitalismo internacional, para o que os palestinos não contam, capitaneada pela nação líder, cujos objetivos nefastos norteiam suas práticas no Oriente Médio. Só isso explica a manutenção de um estado policial, em relação aos palestinos, e a perpetuação de uma política genocida.

E o ocidente, que se sustentou, por mais de um milênio, nos valores defendidos pelo livro judaico-cristão, que privilegia a justiça, a sacralidade da vida e a igualdade entre os seres humanos diante de Deus, e que convoca a todos para que os pobres sejam amparados, assiste, por escandalosa cumplicidade, a derrocada dos valores defendidos pelos formadores de sua civilização, perpetrado por aqueles que juraram honrar a Torah, a Lei de Deus.

quarta-feira, 2 de julho de 2014