terça-feira, 3 de maio de 2016

Do Lar

Lucas 10:38-42
Marta e Maria
Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.

Marta hospedou a Jesus e aos seus discípulos.
Todos foram bem tratados,
O que deu, de certo, muito trabalho...
Marta cuidou de tudo.
Maria se sentou ao pés de Jesus.
Como quem queria aprender com o mestre.
Essa era a postura de discípulo.
Isso só era permitido aos homens.
Marta se incomodou.
Vergonha alheia!
Marta era recatada e do lar.
O lugar da irmã era ao seu lado.
Recatada e do lar!
Maria estava se expondo à vergonha.
Também envergonhava a Jesus.
Ser discípulo era para homens...
Marta achou a solução; 
Para Maria e para Jesus.
Que Jesus pusesse Maria no lugar certo:
Recatada e do lar.
Resolveria dois problemas:
Maria deixava de se expor, 
Deixava de querer o lugar de homens,
E Jesus escapava do vexame, 
E de forma pastoral.
Jesus não aceitou a sugestão.
Aceitou Maria como discípula. 
Quebrou um paradigma milenar.
E, de forma pastoral,
Convidou Marta para a mesma posição.
Jesus se ocupa em preservar o lar.
Mas, do lar cuidam todos os que do lar são.
Jesus tem o mesmo lugar
Para homens e mulheres:
O lugar de discípulo.



sábado, 23 de abril de 2016

O caso da história!

João 7:51-52 (RA Strong's)
Acaso, a nossa lei julga um homem, sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele fez? Responderam eles: Dar-se-á o caso de que também tu és da Galiléia? Examina e verás que da Galiléia não se levanta profeta.

Os líderes judeus queriam matar Jesus, usariam o poder romano, via coação popular para o fazer. 

Nicodemos advertiu que isso seria trair a lei mosaica, segundo a qual Jesus teria de ser ouvido.

Os líderes reagiram se escudando no preconceito em relação à origem do Senhor.

Nem se deram conta de que Jesus era originário de Belém, a Cidade de Davi.

Não se deram conta, porque não investigaram.

Não investigaram porque não estavam dispostos a cumprir a lei.

Traíram o que, no caso deles, seria O Estado Divino de Direito.

Apesar de ter ajudado os soldados a prenderem Jesus, a traição do Iscariotes contou pouco, 

Jesus foi condenado porque os líderes dos judeus resolveram agir ao arrepio da lei.

Os guardiães da Lei Mosaica, a Constituição de Israel, dada por Deus, a traíram.

Traíram o seu Estado de Direito, ignorando-o.

Trair a Lei de Moisés era trair a própria Nação.

Isso os levou a fazer algo, até então, não feito pelos líderes de Israel.

Os líderes de Israel, normalmente, não entregavam, voluntariamente, judeus para serem julgados pelos romanos. 

Por terem traído a nação de Israel, por traírem o seu Estado de Direito, no caso de Jesus de Nazaré, o fizeram.

Alguém poderia dizer que se isso não acontecesse a consumação do sacrifício não aconteceria.

Bem... Isso é história para outra meditação, sobre o chamado de Abraão ao monte Moriá.

O fato, porém é, no caso de Jesus: A maior de todas as vitórias começou com a maior de todas as traições... A traição ao Estado de Direito!

Enfrentamento

Anás interroga a Jesus

João 18:19-24 (RA Strong's)
Então, o sumo sacerdote interrogou a Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. Declarou-lhe Jesus: Eu tenho falado francamente ao mundo; ensinei continuamente tanto nas sinagogas como no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em oculto. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que lhes falei; bem sabem eles o que eu disse. Dizendo ele isto, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que falas ao sumo sacerdote? Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se falei bem, por que me feres? Então, Anás o enviou, manietado, à presença de Caifás, o sumo sacerdote.
Os soldados, que prenderam Jesus, o levaram primeiro à casa de Anás.

Anás era um corrupto que se vendeu aos romanos para garantir a subserviência de Israel.

Anás foi sumo sacerdote por imposição romana, comandou o Templo por 21 anos, quando, então, foi deposto, depois de um breve período em que alguém que não era de sua família assumiu o seu lugar, ainda que sob a àguia romana; Anás retomou o seu prestígio e cada um de seus cinco filhos, um neto e, finalmente, seu genro, Caifás, exerceram o sumo sacerdócio.

A rigor, Jesus não tinha de estar lá, Anás, agora, não era nada além de sogro do sumo-sacerdote, mas, de fato, ele, por meio de manobras tenebrosas, foi quem garantiu para os seus filhos, neto e genro, o supremo ofício, assim, passou a determinar os passos de todos os sumos-sacerdotes, entre os seus, após ele. Anás se tornou a eminência parda do sumo sacerdócio em Israel.

João, como Lucas (3.1,2), denuncia esse golpe, ao chamar de sumo sacerdote, no poder, tanto Anás como Caifás.

Jesus não reconheceu a Anás como sumo sacerdote e se recusou a responder as suas perguntas. Jesus já havia enfrentado Anás, quando expulsou os vendilhões do Templo que, segundo Hendriksen, eram a provável fonte da grande riqueza da família de Anás (comentário de João 18.13, páginas 801, 802 - Comentário do Novo Testamento - Editora Cultura Cristã).

As palavras de Jesus foram provocadoras e denunciadoras: disse que tinha o povo como testemunha, porque falará em lugares públicos, portanto, se Anás quisesse saber qualquer coisa de Jesus, que recorresse ao povo - Jesus demonstrava saber que Anás jamais recorreria ao povo, até porque havia um sério questionamento popular acerca de sua interferência; Jesus, também, questiona-o como interrogador, denunciando seu abuso e usurpação de poder, não reconhecendo, portanto, nenhuma autoridade a Anás. Jesus se recusa a cooperar com o golpista e com a manutenção do estado de golpismo.

Segundo Hendriksen, Anás tinha, na prática, mais poder que Caifás.

Diante da declaração de Jesus de Nazaré, por seu aparente desrespeito ao pretenso sumo sacerdote, um soldado o esbofeteia; Jesus não se dobra à violência, questiona o soldado, exige que se prove onde ele teria errado ou praticado o mal, ou cometido crime, e mais, denuncia a violência do soldado a serviço do desvirtuamento da instituição sacerdotal.

Frente à recusa de Jesus em cooperar com o golpismo, Anás o envia para o sumo sacerdote Caifás, que, apesar de toda a história pregressa, por anuência do povo, que o reconhece, está sumo sacerdote em Israel. 

Ainda que Deus não estivesse mais no templo, mas, no deserto, como disse João, o Batista (Jo 1.23), Jesus mantém a lógica institucional. Caifás, no entanto, coerente com a forma como chegou ao poder, iria desrespeitar, mais uma vez, a instituição que deveria defender.

Jesus estava para o sacrifício (Jo 10.17,18; Mc 10.33,34), parece que isso deveria relativizar tudo, contanto que ele cumprisse a sua missão, não importando como isso viesse a acontecer. Jesus, entretanto, não concordou com essa lógica, ele se recusou a submeter-se ao desvio da instucionalidade.

Jesus, mais uma vez, retoma a postura de enfrentamento, a mesma que usara quando da derrubada das mesas dos cambistas no pátio dos gentios.

Quando falamos em propagação do evangelho, geralmente, nos referimos à proclamação e às boas obras, há, entretanto, um outro movimento de pregação, o enfrentamento - que participa da lógica do sacrifício.

No enfrentamento, em nome do Senhor, denunciamos, com palavras e atos, o mal nas instituições e na história.

A necessidade de enfrentamento acontece em situações onde os sermões precisam ser seguidos de atos de denúncia e de protesto, como o fez o Senhor Jesus, mesmo quando em estado de subjugação pela força.

A Igreja do Cristo não é mera espectadora da história, até porque o cumprimento da sua missão exige interação com a humanidade no seus vários contextos. Jesus de Nazaré cumpriu a sua missão por meio da proclamação, das boas obras e do enfrentamento - parte do pressuposto do sacrifício. 

O exemplo de Jesus de Nazaré, o Cristo, é um chamamento (Mt 20.27,28; Jo 13.15).

Os pastores Dietrich Bonhoeffer, luterano, na Alemanha Nazista; Martin Luther King, batista, nos Estados Unidos da América, capitalista e segregacionista; Lászlo Tökés, metodista, na Romênia Comunista, assim como os profetas que o antecederam, nas suas respectivas realidades, entenderam a chamada do Cristo ao enfrentamento, por coerência à disposição ao sacrifício. 



sábado, 26 de março de 2016

Sábado de Aleluia!

Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse- lhes: Paz seja convosco! Jo 20.19


O chamado sábado de aleluia é o período entre a morte e a ressurreição.

Onde estão os discípulos nesse intervalo? No mesmo lugar onde o Cristo os achará no domingo, trancados numa casa, por medo dos judeus.

Pensavam que os judeus se importavam com eles, com o que poderiam fazer. Mas, os líderes judeus não os viam, senão, como estúpidos peões arrastados por um louco carismático. Estavam convictos que morto o pastor, as ovelhas se dispersariam; isto bastava.

Aliás, não era prática dos líderes judeus entregar alguém do seu povo para os romanos, Jesus de Nazaré foi a exceção, por excelência, pois, concluira Caifás, profetizando sem o saber, que era melhor que um morresse do que toda a nação perecesse.

Mas, no final das contas, os líderes judeus, parecia, estavam certos, lá estavam os discípulos, auto-trancafiados, aprisionados pelo medo.

Os discípulos se recolheram porque reagiram à morte do Senhor com medo e não com fé. O Senhor, reiteramente, falou de sua ressurreição, mas, os discípulos não conseguiam ouvir, porque a possibilidade da ressurreição, ainda na história, mesmo com a ressurreição de Lázaro, não fazia parte do leque de possibilidades de seu construto de fé.

De fato, Jesus falava de ressurreição gloriosa, e isso não estava no horizonte dos discípulos, provavelmente, não se deram conta dos que ressuscitaram quando o Jesus de Nazaré expirou.

Eles sabiam de Enoque e de Elias, que não morreram; eles criam na ressurreição do mortos, mas, no último dia (Jo 11.24); não conseguiram crer no tipo de ressurreição de que Cristo falava. 

E este é sempre o equivoco, não se crê na possibilidade ou não de um evento, quem crê, crê na pessoa que fala do evento, e é a pessoa que diz que dá credibilidade ao evento que anuncia, não a experiência humana que tenta sondar as possibilidades de tal evento acontecer.

Em outras palavras, não creram em Jesus de Nazaré. 

Se tivessem crido estariam na contagem regressiva, estariam se preparando para a ressurreição, estariam preparando uma festa!

Sempre será assim, qualquer reação à vida será de acordo com a fé de quem reage. 

O sábado de aleluia é tido como o dia de “malhar o Judas”, mas, de fato, é o dia de se preparar para a ressurreição, é dia de preparar a festa para receber a aurora do novo tempo, da nova fase da história da redenção, a fase da redenção sob a luz da ressurreição. E é assim que relembramos esse dia.


Nós cremos no Senhor Ressurrecto, e, por isso, sempre reagimos com esperança e certeza de fé, porque o triunfo do bem, depois da ressurreição do Senhor, passou a ser apenas uma questão de tempo.